Gritar faz mal para a saúde? Especialista da UNAMA explica os impactos na voz

Por Quezia Dias Gritar pode parecer algo inofensivo no dia a dia, mas esse comportamento representa uma alta exigência para a voz e pode trazer consequências negativas a curto e longo prazo. O uso inadequado da voz, especialmente de forma intensa e frequente, contribui para cansaço vocal, fadiga e inflamações, além de possíveis alterações difíceis […]

Por Quezia Dias

Gritar pode parecer algo inofensivo no dia a dia, mas esse comportamento representa uma alta exigência para a voz e pode trazer consequências negativas a curto e longo prazo. O uso inadequado da voz, especialmente de forma intensa e frequente, contribui para cansaço vocal, fadiga e inflamações, além de possíveis alterações difíceis de reverter.

Segundo especialistas da UNAMA – Universidade da Amazônia, gritar é um dos principais fatores de sobrecarga vocal e merece atenção, sobretudo para quem utiliza a voz como instrumento de trabalho.

Gritar sobrecarrega as estruturas vocais

A voz é essencial para a comunicação e desempenha papel fundamental na rotina de muitas profissões, como professores, cantores, comunicadores e palestrantes. No entanto, quando usada de forma inadequada, pode sofrer impactos significativos.

De acordo com Juliana Azevedo, fonoaudióloga e professora do curso de Fonoaudiologia da UNAMA, alterações vocais costumam surgir a partir de hábitos prejudiciais e esforço excessivo. “A voz pode sofrer impactos quando usada intensamente, como em situações de forte intensidade, esforço excessivo ou desorganização da coordenação entre respiração e fala”, explica.

Esses fatores, quando recorrentes, aumentam o risco de lesões e comprometem a qualidade vocal.

A docente da UNAMA destaca ainda que existe um processo natural de envelhecimento da voz, chamado presbifonia, que ocorre com o passar dos anos. “Os gritos frequentes não são os causadores diretos da presbifonia, mas contribuem para a sobrecarga das estruturas vocais e podem favorecer o surgimento ou agravamento de alterações na voz ao longo do tempo”, esclarece Juliana Azevedo.

Ou seja, o hábito de gritar acelera o desgaste vocal e potencializa problemas já existentes.

Lesões vocais estão entre as principais consequências do grito

Entre as formas mais agressivas de uso da voz, o grito se destaca pelo impacto direto na laringe. “As estruturas da laringe sofrem microtraumas, especialmente quando esse comportamento é frequente. Com isso, podem surgir lesões como nódulos, pólipos e edemas nas pregas vocais, alterando significativamente a qualidade da voz”, acrescenta a fonoaudióloga da UNAMA.

Essas alterações podem causar rouquidão persistente, falhas na voz e dificuldade para falar por longos períodos.

Cansaço e fadiga após gritar têm explicação

É comum sentir cansaço ou desconforto na garganta após gritar. Segundo a especialista, essa sensação está diretamente relacionada ao esforço vocal, à tensão muscular e ao contexto emocional. “Geralmente, o grito vem acompanhado de estresse e ansiedade, exigindo maior esforço muscular e respiratório. Isso pode gerar fadiga vocal, desconforto e sensação de cansaço intenso”, explica.

Esses sinais funcionam como alertas de que a voz está sendo usada de forma inadequada.

Como cuidar da voz e evitar problemas vocais

Para preservar a saúde vocal e manter a qualidade de vida ao longo dos anos, alguns cuidados são fundamentais. A UNAMA reforça a importância de hábitos saudáveis e mudanças de comportamento no uso da voz.

Dicas práticas para proteger a saúde vocal

  1. Manter boa hidratação
  2. Ter alimentação equilibrada e sono adequado
  3. Controlar quadros alérgicos, que afetam a voz
  4. Evitar falar em volume muito alto
  5. Fazer pausas durante a fala
  6. Priorizar ambientes menos ruidosos
  7. Evitar competir com o barulho ao falar

Reduzir o hábito de falar em forte intensidade exige conscientização e mudança de comportamento. Controlar o volume da voz e respeitar seus limites é essencial”, conclui Juliana Azevedo.

Ao abordar esse tema, a UNAMA – Universidade da Amazônia reafirma seu compromisso com a promoção da saúde e da qualidade de vida. Cuidar da voz é fundamental não apenas para profissionais da comunicação, mas para qualquer pessoa que deseja manter uma comunicação saudável ao longo do tempo.

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